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[[Ficheiro:2fa404c6a05fa6babd7c2c91aceb.jpg|thumb|Página do Libellus de Medicinallibus Indorum Herbis em latim]]O '''Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis - LM''' (Pequeno Livro das Ervas Medicinais dos Índios) foi originalmente escrito em língua Náuatle por Martín de la Cruz e posteriormente traduzido para o latim por [http://en.wikipedia.org/wiki/Juan_Badiano Juan Badiano], outro nobre Azteca, entusiasta do latim e professor no Colégio de Santa Cruz. Muitas vezes referido erronea ou injustamente como o '''Códice Badiano''', possuiu vários outros nomes ao longo da sua história, como o '''Códice Barberini''' (por ter feito parte da biblioteca do cardeal '''Francesco Barberini''' de antes de chegar ao Vaticano), '''Códice de la Cruz-Badiano''' e '''Manuscrito Badiano'''. O manuscrito elaborado foi um tributo a '''Francisco de Mendoza''', Advogado do Colégio de Santa Cruz, e filho do vice-Rei D. Antonio Mendoza.
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[[Ficheiro:2fa404c6a05fa6babd7c2c91aceb.jpg|thumb|Página do ''Libellus de Medicinallibus Indorum Herbis em latim'']]O '''Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis - LM''' (Pequeno Livro das Ervas Medicinais dos Índios) foi originalmente escrito em língua Náuatle por Martín de la Cruz e posteriormente traduzido para o latim por [http://en.wikipedia.org/wiki/Juan_Badiano Juan Badiano], outro nobre Azteca, entusiasta do latim e professor no Colégio de Santa Cruz. Muitas vezes referido erronea ou injustamente como o '''Códice Badiano''', possuiu vários outros nomes ao longo da sua história, como o '''Códice Barberini''' (por ter feito parte da biblioteca do cardeal '''Francesco Barberini''' de antes de chegar ao Vaticano), '''Códice de la Cruz-Badiano''' e '''Manuscrito Badiano'''. O manuscrito elaborado foi um tributo a '''Francisco de Mendoza''', Advogado do Colégio de Santa Cruz, e filho do vice-Rei D. Antonio Mendoza.
   
 
Foi o primeiro livro de plantas e prescrições medicinais escrito no Novo-Mundo, encomendado pelo frei franciscano '''Jacobo de Grado''', o encarregado do '''Convento de Tlatelolco''' e do '''Colégio de Santa Cruz''', que muito provavelmente trabalhou junto do frei '''Bernardino de Sahagún''' e assim ser um autores de muitos estudos da população mexicana.
 
Foi o primeiro livro de plantas e prescrições medicinais escrito no Novo-Mundo, encomendado pelo frei franciscano '''Jacobo de Grado''', o encarregado do '''Convento de Tlatelolco''' e do '''Colégio de Santa Cruz''', que muito provavelmente trabalhou junto do frei '''Bernardino de Sahagún''' e assim ser um autores de muitos estudos da população mexicana.

Edição atual tal como às 23h15min de 24 de maio de 2009

Indígenas Náua em vestimentas festivas (contemporânea)

Martín de la Cruz - Médico indígena (Tepahtiani, médico de prestígio reconhecido, em idioma Náuatle), contemporâneo do século XVI e originário de Texcoco (ou Tezcoco), foi o autor do Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis, um compendio ilustrado sobre prescrições e ervas medicinais do conhecimento Azteca.


Vida

Martín de la Cruz foi um azteca nobre, status que não era relacionado com a arte médica para os indígenas. Tinha origem Xochimilca, um dos povos que integra a etnia Náua (ou Nahua), assim como os Tepanecas e os Acolhuas, e recebeu o conhecimento de plantas medicinais dos seus anciães. Os povos de origem Náua tornaram-se os dominantes na região Bacia do México, e deram origem a algumas das civilizações mais importantes, como os Aztecas.

Colégio de Santa Cruz em Tlatelolco

Martín de la Cruz era o médico responsável pelas crianças indígenas que estudavam e viviam no Colégio da Santa Cruz de Tlatelolco, o primeiro colégio de aprendizado avançado nas Américas, construído por Franciscanos pela iniciativa do vice-Rei. Martín foi educado e pensa-se que esteve também relacionado com o ensino da medicina indígena no Colégio. Conseguiu a posição no colégio com a ajuda do vice-Rei D. Antonio de Mendoza (1º vice-Rei da Nova Espanha), com quem conviveu e possivelmente participou no tratamento de sua enfermidade.

Martín de la Cruz foi também referido como sendo o examinador dos médicos indígenas. Com a crença de que os médicos indígenas deviam cuidar dos índios, associado ao sistema que regulamentava a profissão médica, criou-se o "requerimento" de que os médicos indígenas deviam obter autorização para a prática da medicina. O requerimento era assinado pelo vice-Rei, uma vez que eram analisados e investigados os status e os métodos de cura dos requerentes, como Antón Hernández e outros e o próprio Martín (antes de ser destacado como examinador). Dessa forma eram livres para praticar medicina, no entanto havia a distinção clara e explícita entre os praticantes indígenas e espanhóis. Os médicos indígenas só poderiam tratar de doentes indígenas.

Obra

Página do Libellus de Medicinallibus Indorum Herbis em latim

O Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis - LM (Pequeno Livro das Ervas Medicinais dos Índios) foi originalmente escrito em língua Náuatle por Martín de la Cruz e posteriormente traduzido para o latim por Juan Badiano, outro nobre Azteca, entusiasta do latim e professor no Colégio de Santa Cruz. Muitas vezes referido erronea ou injustamente como o Códice Badiano, possuiu vários outros nomes ao longo da sua história, como o Códice Barberini (por ter feito parte da biblioteca do cardeal Francesco Barberini de antes de chegar ao Vaticano), Códice de la Cruz-Badiano e Manuscrito Badiano. O manuscrito elaborado foi um tributo a Francisco de Mendoza, Advogado do Colégio de Santa Cruz, e filho do vice-Rei D. Antonio Mendoza.

Foi o primeiro livro de plantas e prescrições medicinais escrito no Novo-Mundo, encomendado pelo frei franciscano Jacobo de Grado, o encarregado do Convento de Tlatelolco e do Colégio de Santa Cruz, que muito provavelmente trabalhou junto do frei Bernardino de Sahagún e assim ser um autores de muitos estudos da população mexicana.

Uma página do LM que ilustra as plantas tlahçolteoçacatl, tlayapaloni, axocotl e chicomacatl, usas na formulação de um remédio para lęsum & male tractatum corpus, "corpo lesado e maltratado"

O LM possui 184 meticulosas e elaboradas figuras, pintadas a óleo, e também incorpora o simbolismo nativo de um (ou mais) artista(s) indígena(s).

O livro foi enviado para o rei D. Carlos V como um símbolo da inteligência dos povos indígenas e de forma a apelar para o apoio da corte ao Colégio, mas passou despercebido e foi armazenado na biblioteca real, imaculado, talvez pelo fato de as plantas e matérias-primas estarem nomeadas em Náuatle. Foi citado pela primeira vez no século XIX, sendo copiado poucas vezes por escrivãos até então, e transferido da Espanha para a biblioteca do Cardeal Barberini e posteriormente para a do Vaticano.

As conhecidas descrições de espécies vegetais elaboradas por Francisco Hernández possuem semelhanças notórias com o LM. Entretanto, além das diversas plantas medicinais que os Aztecas conheciam, a obra também retrata as ricas tradições de escrita da história local, colonial, botânica e natural, apoiada por ordens religiosas locais.

A primeira versão do livro, escrita em Nahuatle, está extinta. A versão traduzida para o latim, de 1552, foi devolvida ao Instituto Nacional de Antropologia e História do México pelo papa João Paulo II em 1990.

Post-mortem

O Instituto de Conhecimento Natural e Tradicional de Albuquerque criou o Prémio Martín de la Cruz em honra ao "curandeiro" Azteca (sic), o primeiro indígena do Novo Mundo a fornecer informações sobre o uso de plantas medicinais.

Bibliografia

Artigos

  • Canizares-Esguerra J. (2005). “Iberian Colonial Science”, in Isis, 96;65-66.

Livros

  • Cruz, M. de la; Gates, W. (1939). An Aztec Herbal: the Classic Codex of 1552. USA: Dover Publications, p. iii-xv.
  • Portilla, M. L.; Mixco, M. J. (2002). Bernardino de Sahagún, first anthropologist. Norman: University of Oklahoma Press, p. 123-125.
  • Torres, E.; Sawyer, T. L. (s. d.). Curandero: a Life in Mexican Folk Healing. Albuquerque: University of New Mexico Press, p. 46-49.
  • Aguilar-Moreno, M. (2007). Handbook to Life in the Aztec World. USA: Oxford University Press, p. 265-268.
  • Huber, B. R.; Sandstorm, A. H. (2001). Mesoamerican Healers. Austin: University of Texas Press, p. 47-51.
  • Saldaña, Juan José (2007). Science in Latin America. (S. l.) University of Texas Press, p. 32-34.

Ver também