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Médico grego nascido em Éfeso, Grécia Antiga, “sob o império de Trajano” (97 D.C - 117 D.C).
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A sua data de nascimento e morte não são precisas, contudo remontam a meados do último século A. C. e primeiro séc. D.C..
 
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'''Médico grego nascido em Éfeso, Grécia Antiga, “sob o império de Trajano”(97 D.C - 117 D.C).
 
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Sabe-se que praticou a arte médica na sua cidade nativa, Éfeso.
A sua data de nascimento e morte não são precisas, contudo remontam a meados do último século A. C. e primeiro séc. D.C. respectivamente. Praticou a arte médica na sua cidade nativa, Éfeso. Viveu, também, muito tempo no Egipto, em Alexandria. O seu nome, ‘Rufus’, poderia indicar que esteve ligado a Roma, no entanto não lhe é conhecida nenhuma ligação com Itália. Segundo a sua visão pessoal e científica, a qualidade de abstracção - necessária para as suas investigações médicas - poderia ser afastada de si mesmo na imponente cidade de Roma, "a permanente capital mundial das sensações", sendo talvez esta a causa da inexistência de relatos do seu envolvimento directo na sociedade romana daquele tempo. Sabe-se que todos os seus textos foram escritos na sua língua oficial, grego.'''
 
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Viveu, muito tempo no Egipto, em Alexandria.
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O seu nome, ‘Rufus’, poderia indicar que esteve ligado a Roma, no entanto não lhe é conhecida nenhuma ligação com Itália.
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Sabe-se que todos os seus textos foram escritos na sua língua oficial, grego.
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A sua influência manteve-se mesmo após a sua morte, sendo reconhecido séculos mais tarde em Bizâncio.
   
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Obteve distinção entre grandes nomes da medicina da época: [[Hipócrates]], [[Galeno]] e Quirón.
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Rufus de Éfeso foi considerado "de entre [estas] quatro pessoas, ''o acalmante das doenças''".
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Os seus trabalhos denotaram uma excepcional riqueza das suas observações clínicas.
 
Os seus trabalhos denotaram uma excepcional riqueza das suas observações clínicas.
Um dos ramos dos seus trabalhos clínicos foi a investigação da ''melancolia'' e de outras manifestações do paciente perante a doença. Foi patente o seu cuidado na avaliação das suas observações, nomeadamente na anamnese do doente, sendo estas posteriormente detalhadas no seu livro ''‘Questões de um médico (para com os Pacientes)’''.
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Um dos ramos dos seus trabalhos clínicos foi a investigação da ''melancolia'' e de outras manifestações do paciente perante a doença.
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Foi patente o seu cuidado na avaliação das suas observações, nomeadamente na anamnese do doente, sendo estas posteriormente detalhadas no seu livro ''‘Questões de um médico (para com os Pacientes)’''.
Ocupou-se pelo estudo de doenças renais e da bexiga, tornando-se um importante nome na história da nefrologia e da urologia. Mencionou a possível relação entre as doenças de origem parasitária que afectam a bexiga urinária e a possível aparecimento de lesões cancerígenas. Deixou registadas interessantes descrições sobre dissecações. Foi notável o seu estudo da anatomia do olho. Distinguiu nervos motores de nervos sensoriais e estudou, com precisão, entre outras doenças, a [[lepra]] e a [[peste bubónica]].
 
Nunca esteve envolvido em polémicas e as suas críticas eram extremamente consistentes e objectivas.
 
Mesmo no brilhante mundo intelectual do [[Período Helénico]], Rufus manteve sempre a sua independência e respeito enquanto figura médica.
 
A sua influência manteve-se mesmo após a sua morte, sendo reconhecido séculos mais tarde em Bizâncio (juntamente com [[Hippócrates de Cós]],[[Galeno]] e Cheiron, o mítico Centauro - metade humano, metade cavalo, filho do Titã Cronos - e professor de todos os Médicos), como sendo "de entre as quatro pessoas, o acalmante das doenças".
 
Embora Rufus tenha sido bastante negligenciado pelos historiadores modernos de medicina, uma compreensão moderna sobre a influência de Rufus deveria ser mantida sob consideração e é, em boa parte, algo que se mantém em falta.
 
   
 
Ocupou-se pelo estudo de doenças renais e da bexiga, tornando-se um importante nome na história da nefrologia e da urologia. Mencionou a possível relação entre as doenças de origem parasitária que afectam a bexiga urinária e a possível aparecimento de lesões cancerígenas. Deixou registadas interessantes descrições sobre dissecações. Foi notável o seu estudo da anatomia do olho.
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Distinguiu nervos motores de nervos sensoriais e estudou, com precisão, entre outras doenças, a [[lepra]] e a [[peste bubónica]].
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Nunca esteve envolvido em polémicas e as suas críticas eram extremamente consistentes e objectivas.
 
Mesmo no brilhante mundo intelectual do Período Helénico, Rufus manteve sempre a sua independência e respeito enquanto figura médica.
   
==Obra==
 
 
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O conhecimento de Rufus excedeu, em certas áreas, a do próprio Galeno, sendo por isso extremamente respeitado na sociedade grega e romana. Manteve-se sempre cauteloso quanto às suas declarações públicas, não tendo, no entanto, caído no cepticismo comum da sua época.
 
O conhecimento de Rufus excedeu, em certas áreas, a do próprio Galeno, sendo por isso extremamente respeitado na sociedade grega e romana. Manteve-se sempre cauteloso quanto às suas declarações públicas, não tendo, no entanto, caído no cepticismo comum da sua época.
A amplitude do seu conhecimento e interesses foram reflectidos nos noventa e quatro textos e livros que lhe estão atribuídos.
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A amplitude do seu conhecimento e interesses foram reflectidos nos noventa e quatro textos e livros que lhe estão atribuídos. Escreveu alguns destes trabalhos em verso (hexâmeros), de acordo com a tradição didáctica dos poemas médicos da sua altura.
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Escreveu alguns destes trabalhos em verso (hexâmeros), de acordo com a tradição didáctica dos poemas médicos da sua altura.
 
 
Para além do seu interesse em medicina, o alcance dos seus interesses abrangeu temas muito vastos, desde questões sócio-económicas a assuntos escondidos da sociedade, como a disfunção sexual.
 
Para além do seu interesse em medicina, o alcance dos seus interesses abrangeu temas muito vastos, desde questões sócio-económicas a assuntos escondidos da sociedade, como a disfunção sexual.
 
Alguns exemplos da sua obra são:
 
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*''‘Viver no mar, A compra de Escravos’''
 
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==Bibliografia==
 
==Bibliografia==

Edição atual tal como às 21h04min de 31 de maio de 2009

Rufus de Éfeso

Médico grego nascido em Éfeso, Grécia Antiga, “sob o império de Trajano” (97 D.C - 117 D.C). A sua data de nascimento e morte não são precisas, contudo remontam a meados do último século A. C. e primeiro séc. D.C..

Vida

Existem escassas informações sobre a sua vida. Sabe-se que praticou a arte médica na sua cidade nativa, Éfeso. Viveu, muito tempo no Egipto, em Alexandria.

O seu nome, ‘Rufus’, poderia indicar que esteve ligado a Roma, no entanto não lhe é conhecida nenhuma ligação com Itália. Sabe-se que todos os seus textos foram escritos na sua língua oficial, grego. A sua influência manteve-se mesmo após a sua morte, sendo reconhecido séculos mais tarde em Bizâncio.

Obteve distinção entre grandes nomes da medicina da época: Hipócrates, Galeno e Quirón. Rufus de Éfeso foi considerado "de entre [estas] quatro pessoas, o acalmante das doenças".

Obra

Os seus trabalhos denotaram uma excepcional riqueza das suas observações clínicas. Um dos ramos dos seus trabalhos clínicos foi a investigação da melancolia e de outras manifestações do paciente perante a doença. Foi patente o seu cuidado na avaliação das suas observações, nomeadamente na anamnese do doente, sendo estas posteriormente detalhadas no seu livro ‘Questões de um médico (para com os Pacientes)’.

Ocupou-se pelo estudo de doenças renais e da bexiga, tornando-se um importante nome na história da nefrologia e da urologia. Mencionou a possível relação entre as doenças de origem parasitária que afectam a bexiga urinária e a possível aparecimento de lesões cancerígenas. Deixou registadas interessantes descrições sobre dissecações. Foi notável o seu estudo da anatomia do olho. Distinguiu nervos motores de nervos sensoriais e estudou, com precisão, entre outras doenças, a lepra e a peste bubónica.

Nunca esteve envolvido em polémicas e as suas críticas eram extremamente consistentes e objectivas. Mesmo no brilhante mundo intelectual do Período Helénico, Rufus manteve sempre a sua independência e respeito enquanto figura médica.

"Por entre as partes do corpo humano", edição posterior à sua morte

O conhecimento de Rufus excedeu, em certas áreas, a do próprio Galeno, sendo por isso extremamente respeitado na sociedade grega e romana. Manteve-se sempre cauteloso quanto às suas declarações públicas, não tendo, no entanto, caído no cepticismo comum da sua época. A amplitude do seu conhecimento e interesses foram reflectidos nos noventa e quatro textos e livros que lhe estão atribuídos. Escreveu alguns destes trabalhos em verso (hexâmeros), de acordo com a tradição didáctica dos poemas médicos da sua altura.

Para além do seu interesse em medicina, o alcance dos seus interesses abrangeu temas muito vastos, desde questões sócio-económicas a assuntos escondidos da sociedade, como a disfunção sexual. Alguns exemplos da sua obra são:

  • ‘Por entre doenças do rim e da bexiga’
  • ‘Pelo nome das Partes do Corpo Humano’
  • 'Dependência Sexual e Espermatorreia’
  • ‘Em Doenças Conjuntas’
  • ‘Viver no mar, A compra de Escravos’
  • ‘Unguento para uma Erecção Poderosa’

Bibliografia

  • Gillispie, Charles Coulston, et al, Dictionary of Scientific Biography, Editor in Chief, vol. 11, Charles Sacribner's Sons, NY, 1981, pp 600-603.