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A Medicina e a Religião: Introdução

Multidão à espera de um milagre curativo.


A medicina e a religião estão interligadas desde o início dos tempos. Em todas as civilizações existram indivíduos que, em caso de doença, procuravam ser ajudados pelo padre em vez do médico ou que visitavam templos e igrejas na esperança de que um milagre pudesse acontecer. Para além disto, havia também um factor económico que não deve ser esquecido: a terapia religiosa era mais barata que os fármacos e operações médicas. Enquanto Deus se contentava com um pequeno sacrifício, os médicos exigiam ser pagos a peso de ouro.

Caridade e Hospitais

A caridade era vista como a virtude suprema do cristianismo e em nome do amor e com a convicção de que todas as almas eram potenciais almas a serem salvas, os crentes. Antes desta religião se tornar predominante os actos de caridade estavam limitados a grupos restritos, geralmente compostos por homens, no entanto, após a sua predominância, este conceito foi alargado de forma a incluir nele todos os crentes. Na sequência deste pensamento surgiu um produto final: o hospital.

Em 60 AD, os Judeus haviam construído albergues para aqueles que estivessem em peregrinação ao Templo de Jerusalém de forma a que estes pudessem obter assistência médica. Os cristãos expandiram estes albergues em termos geográficos, sendo que em 400 AD eles já se haviam tornado comuns na Ásia Menor e na Terra Santa e em 450 AD já se haviam expandido até Itália, Norte de África e Sul de França.

A maioria dos hospitais eram pequenos, embora em Constantinopla ou Jerusalém estes tivessem duzentas ou mais camas e o grupo de pessoas por eles auxiliado era bastante variado - doentes, velhos, pobres e estranhos - sendo que algumas vezes essas pessoas eram albergadas todas no mesmo hospital e noutras eram separadas consoante a sua condição. A assistência médica estava disponível somente nos hospitais de maiores dimensões, sendo que a maioria provinha apenas os cuidados essencias, ou seja, comida e abrigo, embora estes cuidados fossem também importantes no proceeso de cura. No que diz respeito à gestão dos hospitais, esta era efectuada, nalguns casos, como sendo um negócio de família, enquanto que noutros estava ao cargo do bispo que era encarado como sendo o pai da comunidade. Estes hospitais eram exemplos da caridade cristã em acção.

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